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Feliz tudo de novo

Sobrevivi a mais um ano.
Não sei como, nem porquê, mas aqui estou.

A dor

A alma dói tanto que chega a sangrar. E eu volto àquele ano novo de 2009-2010, quando doía a ponto de não suportar mais.
Se eu tivesse entornado todo aquele vidro. Se tivesse sido menos covarde. Nada disso existiria agora. Seria poeira, multiversos invisíveis. Nenhuma dor, nenhuma prova, nenhuma depressão. Teria acabado naquela menina de cabelos longos, de rosto sem rugas, de sonhos sem pedaços.
Não valeu a pena. As pessoas, os lugares. Não valeu a pena.

Aquele do domingo

Eu odeio como tenho essa vida dupla, como posso passar uma ideia tão felizinha, tão vida perfeitinha na outra rede social.

Eu sou parte do problema. Sou eu quem alimenta aquela rede com fantasias, fachadas de uma existência inalcansável. Eu imagino alguém olhando minhas fotos e imaginando uma pessoa completamente diferente, uma situação inversa a realidade.

About changes


"(...) she only loved two things. The first was her long dark hair. The second was how easily she could cut it off and feel nothing."

Refúgio


Passos, risos
gente distante
realidade dilacerante

Não basta contemplar a cena
é preciso enxergar na penumbra
de um sofrimento a ermo
de um ego enfermo

A vida a ela foi dada
protegida, manipulada
com dolos ocultos
a verdade manchada

Fugir?
Para quê? Para onde?
Não importa quanto sofrimento
"é com quem!" o incerto sempre lhe responde

"Lá fora a vida é vivida" a disseram
- "ninguém se importa".
e os baques cessam por um momento
e suas quimeras tornam-se seu alento

Mais fácil viver no leviano
a ver o sol refletido
a cheiro de livro, a prazer incompleto
A esplendor por hora demasiado indigesto

Mas se o verdadeiro sentido
somente é encontrado dentro dela
de que adiantariam
os passos, os risos, a falsa janela?

Deram-lhe asas

Ele esteve lá para a minha família. Viu-me crescer, viu todos nós crescermos. Viu alguns de nós falecer. Viu aniversários, casamentos, ensaiou comigo a música da apresentação final do colégio. Dançava enquanto eu cantava, chamou meu nome quando eu já não estava mais.


Sinto-me culpada porque ele esteve lá por nós, mas eu não estive lá por ele.



Bem vinda



Estou tentando arrumar as coisas por aqui. Parei de me enganar e aceitei de vez minha desistência com o outro blog. Já não me representava, já não cabia mais em mim.

Sinto-me mais livre assim. Sinto que posso ser eu mesma. O outro era trench coat e guarda chuva vermelho. Esse é pantufa gasta e pijama com furinho na manga.
Aconchegante, sem medos, sem maquiagem.

Get me out of here

I'm feeling like Dwight right now. I need a second life inside of second life so I can get further away from reality.

Das cinzas

Às vezes bate um sentimento estranho, uma esperança querendo renascer, desabrochar e tomar conta do medo e da incerteza.

Sobre respeitar decisões

O tal amigo deixou de me responder, mesmo estando errado (pelo curso natural da discussão).
Seria um understatement dizer o quanto passei a entender e a respeitar isso. Quero dizer, eu sou sempre a primeira a me afastar de amizades tóxicas. Sem o menor pudor, deixo de dar a graça do check azul,para não incentivar uma sequência awkward de contato esporádico. Eu fiz isso no fim do ano passado e, embora não sinta qualquer orgulho (ou arrependimento), sei que foi o melhor para minha saúde mental.
Nada mais justo que também compreender quando eu mesma possa estar sendo a amizade tóxica de alguém.

Nessa idade, uma amizade perdida conta mais, porque já não temos um grande espaço amostral to begin with. Só que, no contra balanço, temos a certeza de quem fica, fica  porque realmente quer. Nessa idade já se passaram muitas bifurcações - carregadas de calmaria ou culpa -, e uma ínfima porcentagem cruzará a mesma linha de chegada, segurando as mãos em leitos de fim e recomeço.

Eu aceito isso. Recebo com gratidão e sigo em frente.

Speechless

Hoje um amigo quis fazer uma piada sobre eu não ter passado em uma prova.
Isso mesmo. 15 anos depois, ainda insistem em se concentrar nos fracassos.

Depois ele se justificou, como todo homem, virando a culpa para mim, por ter me sentido atacada. Porque eu dou importância demais pra coisas minúsculas, porque eu me sinto triggered por aquilo que não faz diferença - "pequenas bobagens" disse ele -, e por isso vivo tão decepcionada com humanos à minha volta.

Pois é, mas piadas machucam. E eu estou cansada de me silenciar.

Até a última gota

Esgotada. Fisicamente, mentalmente, emocionalmente.
Esgotada por dar tudo de mim, e, ainda assim, nunca ser suficiente.
Esgotada por continuar sendo um cachorrinho, implorando por qualquer atenção, mas nada recebendo além de olhares tortos e desprezo.

Esgotada dos dias, dos ventos. Das conversas, dos gestos. Desse mundo de faz de conta, onde eu sequer tenho escolha.

Do final de semana como qualquer outro

Ontem não foi um dia horrível, embora eu não costume gostar muito das sextas-feiras.

Sexta-feira é dia de reunião longa com a minha equipe, o que significa ter de aturar (mesmo que na câmera), a guria que trabalha remoto e que eu não suporto sequer ouvir a voz.
E, Deus, ontem a dita cuja estava mais opinativa que nunca, interrompendo todo mundo e querendo aparecer mais que o rei (acabei por desligar a câmera na cara dela, afinal, a infeliz disse "Bom final de semana" e eu não tenho como adivinhar que ela vai continuar as despedidas depois disso).

Enfim, depois dessa reunião, abstraí e continuei meu diazinho como se a mesma não existisse. Lavei o carro (e se há alguma comprovação de que nunca viramos adultos totalmente é se divertir dentro do lava jato), comi mini pizza (meu pequeno deslize da dieta), assisti meu time ganhar e fui dormir no mais perfeito silêncio.

Hoje o dia está mais blé. Acordei sem neve lá fora, animada para finalmente me inscrever na academia. Foi quando descubro que a promoção de $0 de taxa de inscrição acabou e agora estão cobrando $128. Isso mesmo. CENTO E VINTE E OITO PAPELETES quando, 5 dias atrás, era ZERO. Não vai ser hoje que vou começar a endurecer meus glúteos.