Passos, risos
gente distante
realidade dilacerante
Não basta contemplar a cena
é preciso enxergar na penumbra
de um sofrimento a ermo
de um ego enfermo
A vida a ela foi dada
protegida, manipulada
com dolos ocultos
a verdade manchada
Fugir?
Para quê? Para onde?
Não importa quanto sofrimento
"é com quem!" o incerto sempre lhe responde
"Lá fora a vida é vivida" a disseram
- "ninguém se importa".
e os baques cessam por um momento
e suas quimeras tornam-se seu alento
Mais fácil viver no leviano
a ver o sol refletido
a cheiro de livro, a prazer incompleto
A esplendor por hora demasiado indigesto
Mas se o verdadeiro sentido
somente é encontrado dentro dela
de que adiantariam
os passos, os risos, a falsa janela?