Não sei se estou enlouquecendo, mas, aos poucos, a quarentena já não parece sufocante. Aliás, nem saberia explicar por que cheguei a me sentir desconfortável, já que a quarentena é o
meu momento.
Ignorando a circunstância trágica que nos encontramos, a quarentena é basicamente como se o mundo de repente fosse obrigado a viver a vida do meu jeito. Um ciclo de cama, sofá, livros, netflix, celular, delivery, rinse and repeat. Hobbies começados e inacabados, pessoas que só existem em uma redoma virtual, uma busca incessante por distrações aprisionadas. Tudo isso é parte do meu cotidiano por eras que muito se estendem além de março2020.
Seria o desconforto fruto de dividir parte do meu mundo com todo o mundo?