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do conflito interno

Se me perguntassem há um ano quais eram meus maiores medos, ficar desempregada certamente entraria na lista. É até um pouco mundano/egoísta dizer uma coisa dessa, mas acho que isso vem muito do trauma que sofri quando, quase que do nada, minha mãe, a provedora solo da casa, voltou uma bela sexta-feira de mãos abanando, mesmo com mais de 15 anos de dedicação à empresa nas costas.


A partir dai muita coisa mudou, como eu começar a tomar 6 ônibus por dia por não ter mais o dinheiro para o fretado, por exemplo. Veja bem, não passamos fome, grazadeus, e consegui aos trancos e barrancos me formar, arrumar um emprego e partir daí. Tudo deu certo no final.



Eu fui ensinada bem cedo a focar minhas energias no trabalho, já que depender de homem era destino pior que a morte. A maioria dos maridos na minha família morreram deixando alguns mares de dívidas para as respectivas esposas, todas donas de casa sem qualquer experiência profissional para continuar tocando o corre. Por isso nunca, jamais, em hipótese alguma pensei em depender de conje, e tampouco tive a opção de depender da família, já que, bem, eles malemal têm pra eles.


Até meu curso foi escolhido com isso em mente, e, graças a ~traumas~, nunca me vi em um lugar de buscar aquilo que eu amaria fazer. Pra ser bem sincera, eu não sei até hoje o que eu faria por amor, já que sempre vi no trabalho uma oportunidade de sair da favela e nada mais. Acho que minha paixão mesmo é ter comida quentinha na mesa e os boletos em dia, e, se der pra não odiar cada segundo da jornada semanal, muito que bem.


Por isso ando tão em conflito comigo mesma, desejando com todas as forças que eu faça parte da próxima lista de demissão em massa, mas acordando com a ansiedade atacada às 3 da manhã. Racionalmente faz todo sentido; me tiraria dessa inércia de estar em um emprego que eu detesto, em uma empresa que pouco tem a me oferecer em termos de crescimento na carreira. O seguro desemprego me manteria bem, otimista?, até que eu arranjasse algo mais condizente. Mas o trauma, meus amigos, esse perdura, e invalida qualquer discussão coerente nessa minha cabecinha.


Ainda não joguei a toalha, mas estou aquém da minha produtividade (e disposição) habitual. Acompanhemos as cenas dos próximos capítulos.

Depois da tempestade

Desistir de qualquer coisa por terceiros é um infortúnio, mas poder recomeçar é gratificante.


Quando escrevi aquele post, ainda estava tomada de raiva. Eu nunca quis que soubessem do meu espaço, quem dirá que comentassem sobre ele por aí. Não que ele fosse tão íntimo assim (meu senso de auto preservação atacaria horrores), mas isso não significa que certas impressões não me incomodassem. Veja bem, algumas pessoas a gente corta da vida, e espera que seja pra sempre, mas a ideia só é válida se for uma via de mão dupla. Eu não procuro saber de você, você não precisa saber de mim; viveríamos em plena harmonia, assim como estranhos na era analógica.


Passada a raiva, o fato é que eu só precisava de um empurrãozinho para recomeçar de vez, para seguir com um abandono que por tantas vezes já ensaiei aqui. Eu me sentia restringida, não só pela indiscrição, mas pela pressão estética também. Eu queria poder postar sem pensar em filtros, estruturas, o tamanho correto de parágrafos para que o texto não caia solto, mas que também não canse o leitor. E quando chega nesse ponto, bem, acho que já não era mais sobre mim, sabe?


Pois migrei, mas não sem antes aparar as arestas. Adotei um pseudônimo - pra ver se dessa vez dificulto o mexerico -, requentei layout, removi alguns rascunhos, e cá estou. Como esse espaço sempre foi para desabafos pessoais, percebo que ele possui esse ar melancólico de quem só aparece para reclamar. Que isso seja transformado pelas próximas postagens, ou não também, se esse acabar sendo o reflexo da minha narrativa.


No mais, que essa mudança me dê o ânimo que eu tanto buscava em voltar a escrever, que aqui eu possa guardar relatos mais sinceros de um dia a dia pouco excepcional. A já tão mencionada pantufa gasta para meus pés cansados.